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13/09/2026 às 4:43h

Texto:Roberta Forastieri

A forma como você lida hoje com as suas emoções, quase nunca foi uma escolha sua, você sabia disso?


Dificilmente fomos ensinados na infância a sentir de forma saudável. Na grande maioria das famílias, o aprendizado emocional oscila entre dois extremos: o congelamento, que é o padrão de negação ou a explosão, que é o padrão de controle e esses dois, padrões da codependência emocional.


De um lado, fomos educados no analfabetismo emocional do "engole o choro", "seja forte" ou "não foi nada". São mensagens silenciosas que o seu cérebro recebeu: sentir é perigoso, demonstrar vulnerabilidade é sinal de fraqueza. Portanto, para sobreviver e ser aceita, você aprendeu a se anestesiar e não sentir. Nesse padrão você desliga as próprias necessidades, engole a dor para "manter a paz" e finge que está tudo bem. Mas o corpo não esquece, o sentir fica lá. Tudo aquilo que a sua boca cala e que a sua mente tenta esconder é somatizado em forma de tensão nos ombros, nó na garganta, aperto no peito, ansiedade e exaustão. E tudo isso vira um sintoma, resumindo no final - uma doença. 


Do outro lado, estão as famílias onde sentir é sinônimo de tempestade. Ambientes onde a emoção assume o volante da casa, gerando reatividade, gritos e dramas, porque ninguém aprendeu a nomear o que estava doendo de verdade. Tristeza vira raiva. Medo vira ataque. A pessoa tenta desesperadamente controlar o ambiente, as pessoas ou as circunstâncias externas para estancar a dor interna que não consegue processar.


E o maior tabu de todos continua sendo falar sobre o que se sente.


Nós passamos a vida inteira tentando controlar tudo pela razão. Acreditamos que somos seres puramente lógicos, mas, na hora em que o peito aperta ou o sangue sobe à cabeça, quem manda em nós é o que sentimos. É mesmo o nosso sistema Límbico hipotalâmico. Pense nisso:


? Nós não somos seres racionais que sentem; nós somos seres emocionais que aprenderam a pensar.?


Agora, veja como isso se manifesta na sua rotina em situações simples do seu dia a dia:

? No trabalho: Quando o seu chefe fala com você em um tom um pouco mais ríspido ou seco, você não reage apenas ao que ele disse no presente, o que ele falou naquele momento. Mas você reage ao passado, como uma pilha de sentir do passado que se parecem com aquilo. Se na sua infância falar alto era sinal de bronca, rejeição ou punição, o seu cérebro liga o alarme do medo na hora. O seu coração dispara, a sua mão sua, a sua garganta fecha e você gela ou já responde na defensiva, mesmo sem necessidade real.

?

? No relacionamento amoroso: A pessoa que você ama demora uma ou duas horas para responder a uma mensagem simples no WhatsApp. Em vez de raciocinar que ela pode estar em uma reunião ou ocupada, você sente um aperto imediato no estômago e um medo profundo de abandono. Por não saber acolher e sentir essa insegurança, você manda várias mensagens cobrando, vira as costas ou fecha a cara para o resto do dia.


? Na rotina da casa: O seu dia foi exaustivo, o trabalho foi pesado e a criança derruba sem querer um copo de suco no chão. O grito desproporcional que sai da sua boca não é pelo suco derramado; é o acúmulo de raiva, cansaço, frustração e sobrecarga que você vem engolindo a semana inteira porque "precisava dar conta de tudo".




Para entender por que fugir do que sentimos, precisamos olhar para a ciência. O neurocientista e psicólogo Jaak Panksepp, o pai da neurociência afetiva, dedicou a vida a mapear o nosso cérebro e provou que nós já nascemos equipados pela natureza com 7 circuitos emocionais primários e nativos.

Esses circuitos não ficam no nosso córtex pré-frontal, que é a mente racional que pensa e analisa. Eles ficam no nosso cérebro subcortical e límbico, no nosso sistema biológico mais profundo. O verdadeiro "coração" gerador desses circuitos fica na substância cinzenta periaquedutal (PAG), que se localiza no tronco cerebral. 


Panksepp mapeou esses 7 sistemas emocionais que todos nós compartilhamos.


Podemos dizer que temos essas 7 emoções básicas dentro de nós, que são:

1. BUSCA (Seeking): A nossa motivação natural de explorar o mundo, aprender e buscar recursos.

2. MEDO (Fear): O circuito de sobrevivência que nos alerta sobre perigos e ameaças reais ou imaginárias.

3. RAIVA (Rage): A energia biológica que surge quando somos frustrados, contidos ou quando nossos limites são ultrapassados.

4. PÂNICO / TRISTEZA (Panic/Grief): O circuito ativado pela dor da separação, da perda e da quebra de vínculo com quem amamos.

5. CUIDADO (Care): O impulso de nutrir, proteger e acolher os outros e a si mesma.

6. DESEJO (Lust): A energia de atração, vitalidade e continuidade da vida.

7. JOGO / ALEGRIA (Play): O circuito do riso, da convivência leve, do aprendizado social e da espontaneidade.


Perceba algo fundamental: todas essas emoções são biológicas, naturais e necessárias. Nenhuma delas é "do mal" ou "errada". O medo te protege; a raiva te dá energia para impor limites; a tristeza te sinaliza o que era valioso e foi perdido.


Quando você tenta reprimir ou esconder o que sente, você luta contra a sua própria estrutura biológica. É exatamente como colocar uma panela de pressão no fogo, tampar a válvula de saída e fingir que nada está acontecendo ali dentro: você pode até ignorar o chiado por um tempo, mas uma hora a pressão acumula tanto que a tampa explode, espalhando tudo e fazendo um estrago enorme na cozinha. 


E o que acontece quando você passa anos mantendo essa panela de pressão no fogo sem deixar o vapor sair? O seu corpo paga a conta.


O corpo humano não foi feito para guardar lixo emocional.

? Quando você guarda o medo sem processar, ele vira ansiedade crônica e pânico. Doenças nos rins, joelhos, etc...

? Quando você guarda a tristeza sem chorar ou acolher, ela vira apatia, exaustão física e depressão.

? Quando você guarda a raiva e sorri por educação, ela vira bruxismo, tensão crônica nos ombros e no pescoço, gastrite, problemas digestivos ou explosões de fúria com quem não tinha nada a ver com a história.


A Dra. Jill Bolte Taylor, neuroanatomista fala que uma descarga neuroquímica de emoção no corpo dura apenas cerca de 90 segundos. Isso mesmo. A química pura de uma raiva, de um medo ou de uma tristeza entra na sua corrente sanguínea, cumpre o papel biológico e é metabolizada pelo organismo em um minuto e meio.


Então por que você fica presa em uma mágoa, raiva ou ansiedade por dias, meses, anos... ou até por uma vida inteira, assim como tantas pessoas que você conhece?


Porque a sua mente racional entra em ação e começa a contar uma história em looping. O pensamento alimenta a emoção, a emoção gera mais pensamento ruim, e você realimenta a química de estresse no seu corpo infinitamente. E isso é o looping, não para.


Esse é o trabalho central que desenvolvo, tanto nas minhas mentorias quanto na formação em PNL da Humanocenter - Escola de PNL. Aprender a integrar o verbo SENTIR não tem nada a ver com ter crises de choro em público ou virar uma pessoa reativa.



Aprender a sentir e, principalmente, nominalizar o que você sente ? porque isso é pura linguagem e PNL ? significa desenvolver acuidade sensorial. Significa ter a capacidade de parar de fugir de si mesma, olhar para dentro e rastrear exatamente o que está acontecendo na sua fisiologia.


E quando você aprende a dar nome ao que sente, algo mágico acontece no seu cérebro. A psicologia chama isso de "Name it to tame it" ? Nomeie para dominar.


No momento em que você para de dizer que "está tudo bem" enquanto está sentindo é a raiva e conseguir dizer para si mesma com honestidade: "Eu estou com medo", "Eu estou me sentindo rejeitada" ou "Eu estou com muita raiva desta situação", o seu córtex pré-frontal assume o comando. A hiperatividade do seu sistema de alarme se acalma e você sai do modo de sobrevivência.


Você não precisa ter medo das suas emoções, lembre-se sempre: é natural sentir, faz parte de sermos humanos. 


E tem outra coisa: 


Você não é a sua emoção. Você só está sentindo, é um estado e passa em 90 s. Você é você! Você é o ser humano consciente, o espaço seguro onde essa emoção acontece.


Agora, eu quero te convidar a sair dessa teoria toda e vivenciar isso na prática. Vamos fazer juntas um exercício simples e poderoso de acuidade sensorial e liberação.

1. Ajuste a sua postura: Se for seguro para você agora, sente-se de forma confortável, apoie bem os pés no chão, relaxe os ombros e feche suavemente os olhos.

2. Respire e Conecte: Faça uma respiração profunda... Puxe o ar pelo nariz preenchendo o pulmão e solte devagar pela boca, deixando o corpo soltar as tensões acumuladas do dia.

3. Localize a sensação no corpo: Traga à memória uma situação recente que te chateou, um incômodo ou uma preocupação que está tirando a sua paz. Em vez de pensar sobre a história ou procurar culpados, leve toda a sua atenção para o seu corpo físico e pergunte-se: Onde essa emoção reside no meu corpo agora? (É um nó na garganta? Um aperto no peito? Uma queimação no estômago? Um peso nos ombros?) Perceba em que parte do seu corpo ela se localiza.

4. Dê forma, cor e presença: Observe esse ponto com curiosidade e zero de julgamento. Se essa sensação tivesse uma cor, qual seria? Se tivesse um formato, seria como: seria redonda, pontiaguda, disforme? E a temperatura: Ela é quente ou fria? É Pesada ou leve?

5. Respire através da sensação: Em vez de tentar empurrar essa sensação para longe, lutar contra ela ou querer que ela suma rápido, faça o oposto. Direcione a sua respiração exatamente para esse ponto do seu corpo. Inspire expansão e, ao expirar e diga mentalmente para você mesma: "Eu vejo você. Eu permito que você esteja aqui pelo tempo que for necessário." E solte o ar todinho, como se estivesse soprando uma vela com o ar que sai da sua boca. 

6. Observe a transformação: Permaneça observando essa imagem interna por alguns segundos enquanto respira. Faça isso por mais 2 a 3 vezes. Perceba como, ao parar de lutar, a cor vai perdendo o tom forte, as bordas da forma vão se desfazendo, a pressão vai diminuindo e a carga de estresse cede no seu corpo.


Respire fundo mais uma vez... abra os olhos devagar e sinta o alívio de estar presente no seu próprio corpo.


Aprender a sentir é retomar o controle do seu próprio corpo e da sua história. Quando você para de fugir do que sente, você descobre uma força interna que nunca imaginou ter.


Se este vídeo trouxe clareza, alívio ou uma nova perspectiva para você, não guarde isso só para si. Inscreva-se no meu canal do youtube, deixe o seu curtir e compartilhe este link nos seus grupos de família, de trabalho ou com aquela amiga que precisa aprender a soltar o peso do mundo.


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Que o Divino SER abençoe profundamente a sua jornada de sentir, acolher e transformar. Um grande abraço carinhoso ao seu EU, ao VOCÊ e a todos os ELES que fazem parte da sua família. Que o ato de sentir seja um guia na sua jornada... e até o nosso próximo domingo!"



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